A Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo, comandada pelo padre Júlio Lancellotti, recebeu na última quarta-feira (28) a doação de uma Kombi comprada com dinheiro de uma vaquinha virtual feita por sindicatos, juristas e sociedade civil.

A vaquinha arrecadou cerca de R$ 30,6 mil e foi liderada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e por juristas do grupo Prerrogativas, além de paulistanos anônimos e políticos que colaboraram com doações.

Segundo o padre, o veículo entrou imediatamente em atividade na pastoral, já que a entidade estava sem o veículo que era usado para entregar alimentos, cobertores e roupas à população de rua da cidade.

“Nós ficamos extremamente felizes com esse gesto de solidariedade. Temos uma Kombi que estava no conserto e sempre apresenta problemas. Assim que recebemos o veículo, já colocamos em operação para levar as doações. É um gesto de extrema generosidade, que nos deixa muito felizes”, disse o padre ao G1.

O secretário-geral do sindicato, Moisés Selerges, relatou que em uma das visitas ao padre notaram que a Kombi da pastoral estava muito velha. Segundo ele, daí veio a ideia da criação da vaquinha para ajudar o trabalho social tocado pelo pároco da Igreja São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, Zona Leste da capital.

“O padre Júlio faz um trabalho muito bonito com as pessoas em situação de rua de São Paulo, que poucos fariam com a dedicação que ele faz. Então resolvemos organizar uma vaquinha virtual para comprar uma Kombi em melhores condições. A vaquinha foi um sucesso”, disse Moisés Selerges.

De acordo com o Movimento Estadual da População em Situação de Rua do Estado de São Paulo, pelo menos 17 pessoas já morreram neste inverno na cidade de São Paulo por causa do frio.

“Essa ajuda coletiva mostra a sensibilidade das pessoas com os irmãos da rua, que com o frio precisam ainda mais de atenção. Há muito sensibilidade, mas também há muita insensibilidade ainda na cidade que precisamos superar”, declarou o padre Júlio.

Acolhimento dos metroviários

 

Em ajuda aos moradores de rua da cidade, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo anunciou na semana passada que está abrindo as portas de sua sede para abrigar pessoas em noites de frio intenso na cidade, em trabalho feito em parceria com a pastoral do padre Júlio.

O acolhimento começou na sexta-feira (30), entre 20h e 8h, e conta com o fornecimento de abrigo e refeições durante as madrugadas.

A sede do sindicato fica na rua Serra do Japi, 31, no Tatuapé, na Zona Leste, e as pessoas em situação de rua dormem na quadra onde são feitas as assembleias da categoria.

Segundo a diretoria do sindicato, o acolhimento vai até o fim do inverno, e a sede chega a receber 40 pessoas durante as noites.

“Como a gente tem um estacionamento grande, nós temos recebido bastante gente durante a noite porque eles têm lugar para guardar a carroça de trabalho, o que não acontece em muitos abrigos, principalmente na Zona Leste. Ao chegarem para o acolhimento, eles recebem um kit de higiene, uma sopa quente e podem usar as roupas disponibilizadas pela pastoral do Padre Júlio nessa parceria”, afirmou o diretor do sindicato, José Vanderlei da Silva, conhecido como Amaral.

“Pra nós é uma satisfação poder ajudar nessa corrente e já estamos pensando em fazer esse trabalho em todos os invernos, se a nossa sede não for tomada pelo governo de São Paulo”, declarou.

O sindicato também tem um programa de cozinha solidária que todos os dias distribui cerca de 180 marmitas aos moradores carentes do bairro.

Fonte: Portal G1