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Hoje falaremos sobre uma relevante afecção que acomete cerca de 4,5% da população no estado de São Paulo. Isso significa que a cada 1000 paulistanos, 45 podem manifestar sintomas do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Para muitas pessoas incialmente o TOC pode apresentar uma certa conotação cômica. Pode-se imaginar uma pessoa com manias e trejeitos engraçados, comportamentos teatralizados. Infelizmente essa primeira impressão ou essa falsa noção sobre a doença não poderiam estar mais erradas, pois TOC pode representar doença extremamente grave trazendo sérios prejuízos para a vida daqueles que sofrem com o transtorno, assim como de suas famílias.

Existem gradações de TOC indo de leve até extremamente grave. O transtorno consiste basicamente em pensamentos obsessivos em relação a alguma situação e tais pensamentos, no mais das vezes, resultam numa necessidade compulsiva de realizar certas ações que tragam alívio em relação ao pensamento que traz a sensação de sofrimento. Os pensamentos mais comuns relacionados ao TOC são; organização/simetria (alinhamento de objetos), limpeza, conferência, pensamentos de medo (medo de ferir alguém, medo de comportamento sexual inadequado).

Os pensamentos no TOC são invasivos, indesejados, repetitivos e causam muito sofrimento. Muitas vezes acontece uma relação “mágica” entre o pensamento e a realização do ato que traz alívio a sensação desagradável. Por exemplo, uma pessoa tem o pensamento de que alguma coisa ruim vai acontecer com um familiar caso não confira a fechadura 10 vezes. O sofrimento reside justamente no fato da quantidade de tempo que a pessoa passa envolvida com os pensamentos e com os rituais que tem que fazer para obter alívio. Nos casos mais graves a pessoa não consegue fazer outra coisa que não seja viver nessa cadeia escravizadora de pensar e realizar os rituais. Uma pessoa com TOC por medo de alimentos contaminados não consegue comer pois acredita que a comida irá matá-la. Uma pessoa com TOC por medo de sofrer acidentes pode perder o trabalho por não conseguir sair de casa.

Os tratamentos consistem em medicações, psicoterapia e ainda a terapia magnética transcraniana. Infelizmente as pessoas com TOC demoram em média 8 anos antes de buscar tratamento por medo ou resistência ao contato com profissionais da saúde mental.

Caso você, ou alguém do seu convívio ou conhecimento, apresente algum dos sintomas acima mencionados busque ajuda médica. Você não está sozinho (a).

Dr Frederico Félix