Crimes envolvendo crianças por sua natureza já chocam, e se tornam mais aterrorizantes ainda quando os crimes são cometidos por crianças. Abaixo alguns casos que chocaram a imprensa internacional e nacional.

Caso 1– Em 1993, em Liverpool, o menino James Bulger tinha apenas três anos de idade quando desapareceu de um centro de compras, enquanto passeava com a mãe. Poderia até ser uma história corriqueira, já que muitas crianças podem se perder com facilidade em ambientes como esse. Mas o corpo do menino foi encontrado dois dias depois em uma ferrovia, a 4 km do local do desaparecimento. No total, havia 42 ferimentos no corpo da criança, que estava partido ao meio, com sinais de tortura e abuso sexual.
Uma série de requintes de crueldade agravou a situação: havia tinta nos olhos do menino e pilhas em sua boca, que teriam sido introduzidas também em seu ânus. A morte veio com golpes de tijolos e uma barra de ferro. O corpo foi colocado na linha do trem e coberto com pedaços de madeira.

A surpresa veio com o relato de 38 testemunhas de que James foi visto dentro do centro de compras com outros dois garotos mais velhos. A cena foi confirmada pelas câmeras do local, que mostravam os meninos à espreita da vítima e depois junto ao pequeno James.
Um deles era Jon Venables, o outro era Robert Thompson, ambos com apenas dez anos.
Os dois foram condenados pelo assassinato do menino de três anos.
Ambos foram colocados em liberdade condicional em 2001 e ganharam novas identidades, além de mudarem de endereço. Mas, em 2010, Jon Venables voltou a ser notícia ao ser novamente condenado por possuir material de pornografia infantil.

Foto: Reprodução

Caso 2– Na Pensilvânia (Estados Unidos), em 2009, Jordan Brown tinha apenas 11 anos quando pegou uma espingarda calibre 20 e a apontou para a cabeça de sua madrasta, que estava dormindo e grávida de oito meses, matando ela e o bebê. Mais assustador ainda foi o comportamento do menino, que se limitou a guardar a arma e seguir para a escola, como se fosse um dia normal. O menino chegou a mentir para a polícia e dizer que tinha visto um carro preto rondando sua casa, com a intenção de criar uma história para o crime.

O crime aconteceu na Pensilvânia (Estados Unidos), onde qualquer pessoa com mais de dez anos seria julgada como adulto neste caso. O pai de Jordan acredita na inocência do filho e diz que ele era uma criança normal e amorosa, incapaz de fazer o que fez com a madrasta (foto). Inclusive, foi o próprio pai que deu a arma utilizada no crime de presente para o menino.

O julgamento de Jordan Brown foi bastante conturbado, e hoje com 21 anos, em liberdade, Brown é júnior da faculdade estudando ciência da computação. Ele afirmou repetidamente em entrevistas que está comprometido em mudar sua vida.

Foto: Reprodução

Caso 3- Era Páscoa de 2011, na Inglaterra, quando a polícia recebeu a ligação de Daniel Bartlam, um menino de 14 anos, relatando que bandidos haviam assassinado sua mãe. Não demorou muito, porém, para a polícia perceber uma série de inconsistências na história do garoto. Vasculhando em seu computador, a equipe de investigação encontrou um arquivo deletado contendo o plano detalhado de como iria matar a própria mãe. Bartlam deu sete marretadas na cabeça dela e depois incinerou o corpo. O adolescente não tinha um motivo para o crime, mas o ex-parceiro de sua mãe relatou que Daniel tinha uma paixão por filmes e videogames violentos. Ele foi condenado a um mínimo de 16 anos de prisão.

Foto: Reprodução

Caso 4- Em 2013, em São Paulo, Marcelo Pesseghini, de 13 anos, baleou e matou o pai dele, o sargento das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Luís Marcelo Pesseghini, de 40 anos; a mãe, a cabo Andréia Bovo Pesseghini, de 36; a avó materna, Benedita de Oliveira Bovo, 67; e sua tia-avó Bernadete Oliveira da Silva, 55. Após os assassinatos, o garoto teria se suicidado. Na vizinhança ninguém ouviu os disparos.

A arma usada foi uma pistola .40 de Andréia. Todas as vítimas estavam dormindo, segundo a polícia. O motivo do crime, de acordo com laudo psiquiátrico, foi uma doença mental que levou Marcelinho a acreditar que era o personagem do game Assassins Creed, um assassino profissional.

A família paterna não acredita que o menino teria matado a família e se suicidado em seguida. Pela Polícia de São Paulo, o caso foi arquivado sem responsabilizar outras pessoas além de Daniel. A família paterna foi até a OEA para tentar reabrir o inquérito.

Foto: Reprodução

Caso 5- Um adolescente de 14 anos confessou ter matado os cinco membros de sua família na noite do dia 02 de setembro, em Elkmont, no estado americano do Alabama. Ele disparou contra seu pai, John Sisk, de 38 anos, sua madrasta, Mary, de 35 anos, e seus três irmãos – de 6 e 5 anos e de seis meses. As crianças chegaram a ser socorridas com vida, mas morreram no hospital.

A pequena cidade de Elkmont, com apenas 430 habitantes, está chocada com o massacre.

A violência armada é uma característica predominante na vida americana, com mais de 36.000 mortes por ano – pelo menos um terço delas é homicídio – de acordo com estatísticas compiladas pelo Giffords Law Center.

Foto: Reprodução

Caso 6-  Raíssa Eloá Capareli Dadona, de 9 anos, que era autista, foi encontrada amarrada pelo pescoço a uma árvore do Parque Anhanguera no dia 29 de setembro. Ela havia desaparecido horas antes, quando participava de uma festa com outras crianças em um Centro Educacional Unificado (CEU) vizinho. No mesmo dia um garoto de 12 anos, procurou um segurança do parque dizendo que havia encontrado um corpo.
Dois dias depois, a Polícia Civil informou que um garoto de 12 anos confessou ter assassinado a menina. O adolescente morava na mesma rua da vítima e foi visto na companhia dela no dia do crime. Imagens de câmeras de segurança mostram Raíssa e o menino suspeito atravessando uma rua de mãos dadas por volta das 12h30 do domingo, antes de a garota ser assassinada.

No último dia 18, As investigações da Polícia Civil apontaram que o adolescente de 12 anos matou a menina Raíssa Eloá, 9 anos, inspirado em filmes de violência e terror que costumava assistir. A informação foi dada pelo delegado Luís Eduardo Marturano, do DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa). A Polícia Civil ainda aguarda resultado de exames que podem apontar se o adolescente agiu mesmo sozinho e quem teria sido o autor do estupro.

Até agora, A polícia afirma ter identificado pelo menos três mentiras nos depoimentos do adolescente sobre a corda que enforcou Raíssa.

A primeira, no distrito policial que registrou a ocorrência, ele teria dito que um homem chegou com o objeto. A segunda, já no DHPP, disse que a corda estava na sacola que ele carregava. E, por fim, em juízo, teria afirmado que chegou com a objeto amarrado na cintura, porque ele gosta de pular corda.

Outra contradição do adolescente teria sido a respeito do sangue encontrado na camiseta dele. Em uma primeira versão, disse que era de um pernilongo. Posteriormente, confessou que era de Raíssa, mas falou que passou a mão nela depois do crime, cheirou o sangue e limpou na camiseta.

No caso de Raíssa o inquérito segue em andamento.

Foto: Reprodução

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Nesses seis casos citados vemos crianças aparentemente com vidas comuns para suas idades e regiões onde moravam, no entanto após os crimes virem a tona, tornaram-se assassinos cruéis e aparentemente sem nenhuma noção de sentimento pelo próximo.

Várias são as  possibilidades apontadas para justificarem tamanhas atrocidades, entre elas psicopatias, alucinações, esquizofrenias não tratadas, entre outras.

Há entre os pesquisadores uma divisão, parte deles procuram encontrar no cérebro a a origem da sociopatia sugerindo que alguns sociopatas apresentam uma alteração na parte do cérebro considerada responsável por nossa capacidade d sentir emoções.  Resta saber se essa alteração é genética ou fruto de algum distúrbio psicológico adquirido.

Outros pesquisadores acreditam que a insensibilidade dos psicopatas é fruto de um trauma, como violência ou abuso sexual na infância.  Problemas neurológicos, doenças mentais, abuso sexual e violência infantil, todas essas causas são plausíveis para explicar o que torna algumas pessoas mais vulneráveis a cometer esses crimes.

Há ainda uma terceira hipótese, que embora tenha sido derrubada pela evolução dos estudos na área psiquiátrica, diante da frieza e crueldade de alguns crimes, volta a chamar a atenção, que seria a tese do médico austríaco Franz Gall  que defendia que ninguém se torna criminoso, já se nasce criminoso. Gall foi um dos mais importantes representantes da frenologia, a teoria de que era possível identificar um assassino frio por meio de algumas saliências no crânio. A ideia é que havia no cérebro uma área específica para a violência. Se essa área fosse grande, era melhor apressar o exame do paciente e sair logo da sala. Mas a realidade não se encaixou na sua tese e as ideias de Gall e outras explicações biológicas para a origem da agressividade caíram em descrédito na mesma época em que a psicanálise buscava modelos que não tivessem necessariamente uma origem orgânica para explicar a violência.

Nos casos citados, a maioria dos países, com exceção do Brasil, possuem uma rigidez considerável em relação a assassinos, no entanto os casos continuam acontecendo.

No Brasil, muito se tem falado em enrijecer as leis penais, redução da menor idade penal, ao mesmo tempo que se fala em facilitações para se ter acesso a armas.

Trazendo para a realidade de São Paulo, no caso Raíssa, que ainda encontra-se em andamento investigativo, se comprovarem que o adolescente de 12 anos, estuprou, espancou e matou a colega de 10 anos autista, quais providências deveriam ser tomadas?

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