Romance histórico ambientado na França pós-Segunda Guerra explora o poder redentor da arte e a reconstrução de um país, com inspiração na vida de Marc Chagall

Ao mesmo tempo que a população de Paris ocupa as ruas para celebrar o fim da Segunda Guerra Mundial, a França precisa reconstruir uma nação em pedaços com a devastação de infraestrutura e patrimônios culturais. Para contar essa história, a Rocco publica O Castelo de Vidro, romance histórico que explora o valor da arte em tempos de crise, com inspiração na vida e nas obras do pintor, gravurista e ceramista Marc Chagall (1887-1985), um dos nomes mais influentes do surrealismo do século XX.

O livro se passa em junho de 1945, poucos meses após o fim da guerra, quando o protagonista, Asher, um homem judeu que perde a família no conflito, vagueia desnorteado pelo interior do país. Ele acaba encontrando refúgio no Château Guérin, um antigo castelo transformado em oficina de restauração para catedrais bombardeadas. Lá ele se junta a outros ex-combatentes e passa a trabalhar, a partir da areia, na produção de belos vitrais para adornar o templo.

No centro da narrativa está a técnica dos vitrais, desenvolvida por Marc Chagall a partir da década de 1950. Nascido em Vitebsk, na época parte do Império Russo (hoje Bielorrússia), Chagall foi um dos pioneiros da arte contemporânea, combinando memórias judaicas e referências bíblicas.

Após ter diversos trabalhos censurados pelo nazismo, o artista foi convidado a criar janelas coloridas para a Catedral de Reims, símbolo da reconciliação entre França e Alemanha. O projeto marcou o renascimento do país diante das ruínas, valorizando importância histórica da arte na reconstrução nacional e na restauração da esperança.

Stephen P. Kiernan, que antes de se dedicar à ficção era um premiado jornalista, conduziu uma pesquisa rigorosa para retratar o ofício do vidro artístico. O autor entrevistou artesãos especializados em vitrais e participou de residências artísticas na França, incluindo visitas à Catedral de Reims, para absorver detalhes técnicos e históricos que enriquecem o livro.

O Castelo de Vidro recebeu elogios da crítica internacional, com uma narrativa que usa o pós-guerra como cenário para refletir o papel da arte na reconstrução de comunidades e na afirmação de esperanças coletivas, tornando a leitura atrativa tanto para amantes de ficção histórica quanto para públicos interessados em arte e memória da Segunda Guerra Mundial.

SOBRE O AUTOR

Stephen P. Kiernan é mestre em Belas Artes pela Johns Hopkins University e pelo Iowa Writers Workshop. Trabalhou como jornalista e recebeu mais de quarenta prêmios. Também é autor de dois livros de não ficção e três de ficção, incluindo o thriller científico A curiosidade, que está sendo adaptado como série de TV pela Twentieth Century Fox. Atualmente mora em Vermont com os dois filhos. O castelo de vidro é seu primeiro livro publicado pela Rocco.