Quando em março de 2020 foi declarada situação de Pandemia no Brasil, a grande maioria da população imaginava que seria algo que duraria cerca de seis meses, porém o tempo foi passando o número de mortes aumentando vertiginosamente e agora no final de abril de 2021, mais de um ano depois,  o Brasil atingiu a marca de 400 mil mortos vítimas do covid-19.

Além do alto índice de mortes, o Brasil vive um a crise financeira/ econômica, e com tudo isso a saúde mental do brasileiro não anda boa. Ainda em março do ano passado, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) já advertia, em artigo internacional publicado no ‘Brazilian Journal of Psychiatry’, que a pandemia traria uma quarta onda relativa às doenças mentais.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) relatam que, em números gerais, o Brasil é o segundo país das Américas com maior número de pessoas depressivas, equivalentes a 5,8% da população, atrás dos Estados Unidos, com 5,9%. A depressão é uma doença que afeta 4,4% da população mundial. O Brasil é ainda o país com maior prevalência de ansiedade no mundo (9,3%)

Analisando o período de pandemia, segundo pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) em onze países, o Brasil lidera os casos de depressão e ansiedade durante a pandemia, com 63% de casos de ansiedade e 59% de casos depressão. Em seguida vem a Irlanda e Estados Unidos com porcentagens aproximadas. Em março de 2021 uma pesquisa da Universidade de Ohio (EUA), também apontou que o Brasil como líder nos índices de ansiedade e depressão durante a pandemia, entre os 1.500 brasileiros ouvidos, 84,8% não tinham diagnóstico de transtornos mentais  antes da pandemia. A conclusão dos cientistas é que as populações mais infectadas pelo vírus (por milhão de habitantes) e com menor esperança de controle da pandemia são as que mais sofrem emocionalmente.

O Jornal Expresso Regional conversou com o psiquiatra Frederico Félix, formado em medicina pela FAMERP (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto), 2° Tenente médico de infantaria do Exército Brasileiro (atualmente na reserva) e pós-graduado em psiquiatria pelo ISMD (Instituto Superior de Medicina) em São Paulo.

Dr Frederico experiente na área, nos relata que: “Multiplicam-se em nossos dias a sensação de ansiedade, tristeza, incerteza, medo e preocupações. No contexto da pandemia, é absolutamente compreensível o fato de estarmos todos, de alguma forma, sentindo os efeitos trazidos pelo covid-19. Perda de familiares, amigos, perda de emprego, diminuição de renda, distanciamento social. Certamente diante de tamanhas transformações, nossas emoções encontram-se abaladas, mas as perguntas que ficam são as seguintes; será que essa ansiedade merece atenção psiquiátrica? Será que essa tristeza é depressão? Será que essa preocupação se tornou um transtorno mental?”

A fim de responder essas questões sob a luz da psiquiatria é preciso estar atento aos seguintes sinais principais: “diminuição ou perda de funcionalidade/rendimento. Sofrimento sentido. Alterações do sono, apetite, humor, concentração. Sintomas físicos, mais comumente; dores de cabeça, no peito, pescoço, costas, falta de ar, tremores, formigamentos, náuseas, boca seca, palpitações (batedeira no coração)”.

Doutor Frederico enfatiza que: “É sabido que o sofrimento é real e os desafios dos dias que atravessamos são imensos. Fique atento e procure ajuda profissional caso note uma tristeza/desânimo que não passa, pensamentos/preocupações repetitivas, sensações físicas desagradáveis recorrentes e sem explicação por doença clínica, alterações de humor/comportamento (irritabilidade, choro, insônia, isolamento)”. 

Para finalizar, Dr Frederico ressalta a importância da não banalização dos problemas associados a saúde mental: “Sua saúde mental é tão ou mais importante do que sua saúde física. Sofrer desses males não é sinal de fraqueza, caso precise, procure ajuda. Depressão não é frescura. Ansiedade não é chilique. Psiquiatra não é médico de louco, psiquiatra é médico de gente”.

Segundo um estudo da Fiocruz, os mais afetados pela ansiedade e depressão são jovens entre 19 e 29 anos.

Infelizmente a pandemia ainda não acabou, portanto é necessário manter todos os cuidados recomendados pelas autoridades médicas, caso você ou alguém do seu convívio ou conhecimento apresente algum dos sintomas acima mencionados pelo Psiquiatra busque ajuda médica, você não está sozinho.