Betina Roxo, Vice-presidente da Redoma, emitiu um artigo envolvendo o tema “mulheres no topo”, após as falas polêmicas de Tallis Gomes. Confira abaixo:
“Deus me livre de um mundo sem mulheres no topo.
Não é 1950, mas há dois dias um discurso que ecoou pelas redes sociais parecia uma “viagem no tempo” em sentido de retrocesso.
“Deus me livre uma mulher CEO” – dito assim abertamente, por uma liderança de uma empresa focada em educação. E questionando não apenas a habilidade das mulheres em gestão, mas também reforçando que determinados papéis “são masculinos”, nesse caso, a liderança.
Não é sobre simplesmente discordar, mas de mostrar o quanto pensamentos como esse ainda repercutem no mundo. Onde por mais que as mulheres sejam 50% da população, são eles que ocupam 95% dos cargos de gestão.
É isso mesmo: só 5% dos cargos de CEO no mundo são ocupados por mulheres. E elas por sua vez, levando 30% a mais de tempo, e com o dobro de experiências profissionais para terem às mesmas oportunidades, segundo estudo da Consultoria Korny Ferry.
Com números tão ínfimos, não é de se admirar que o autor dessa fala tenha tão poucas referências de líderes femininas. Mas elas não são escassas por falta de habilidade para tal, mas porque ainda se discute se elas “podem tanto”, já que supostamente dentro desse pensamento retrógrado, nossos talentos e habilidades são puramente para o lar. Mas o que dizem os dados?Segundo estudo da Consultoria McKinsey, empresas lideradas por mulheres apresentam 21% a mais de crescimento. Mulheres trazem inovação, empatia e uma visão sistêmica que transforma o mundo dos negócios. Não à toa, pesquisas comprovam nossa eficiência em áreas cruciais de gestão.
O mundo não precisa de menos mulheres no topo, ele precisa de sistemas que valorizem o poder feminino e pessoas dispostas a evoluir o pensamento. O modelo de trabalho que conhecemos foi desenhado para homens que tinham o privilégio de ter uma estrutura familiar que cuidava de tudo, ou seja, sempre fomos excelentes em gestão. Ou muitos homens não teriam erguido suas carreiras graças a esse suporte.
Então por que deveríamos ocupar menos espaços?
É mais do que na hora de mudar sistemas atrasados, para que essas habilidades retornem para nós em crescimento também profissional. O que definitivamente não barra o crescimento pessoal. Basta existir apoio mútuo e consciência de igualdade também nas responsabilidades do lar.
Sim, nós podemos tanto. Podemos muito. Podemos juntos.O que precisa mudar é o sistema, não a ambição feminina. O futuro pertence à mulher que ousa ser o que quiser — CEO, mãe, esposa ou tudo.
Assino esse manifesto com os meus votos para um futuro mais diverso, mais inclusivo e igualitário, falando como uma mulher que é vice-presidente, que assume posições de responsabilidade há anos, forte e delicada na medida que deseja, e não menos capaz, não menos parceira, nem menos feminina e definitivamente, não menos líder!”





