Com a chegada do outono e a queda nas temperaturas, especialistas de diversas áreas da saúde têm observado um aumento significativo nos casos de doenças respiratórias em todo o Brasil. Gripes, resfriados, pneumonia e bronquiolite estão entre as enfermidades mais comuns neste período, exigindo atenção redobrada, especialmente para bebês, crianças pequenas e pessoas com comorbidades.

Maio é, tradicionalmente, o mês de pico de bronquiolite, uma infecção viral que atinge principalmente os menores de dois anos, inflamando os bronquíolos, estruturas responsáveis por conduzir o ar até os pulmões. A principal causa da bronquiolite é o vírus sincicial respiratório (VSR), altamente contagioso e potencialmente perigoso em casos mais graves, podendo levar à internação hospitalar.

Prevenção é fundamental

A boa notícia é que existem formas eficazes de prevenir a bronquiolite. Segundo especialistas, fortalecer o sistema imunológico com anticorpos naturais, por meio de uma boa alimentação e amamentação exclusiva até os seis meses, já oferece uma base importante de proteção.

Nos últimos anos, a ciência avançou ainda mais. Atualmente, existem três formas principais de prevenção contra o vírus sincicial respiratório (VSR), causador da bronquiolite. O Palivizumabe é um anticorpo monoclonal indicado para bebês de alto risco, como prematuros ou com doenças cardíacas, e exige aplicações mensais durante a época do vírus. A vacina Abrysvo, da Pfizer, é aplicada em gestantes entre 24 e 36 semanas, protegendo o bebê por meio dos anticorpos maternos. Já o Beyfortus é um anticorpo monoclonal mais moderno, aplicado em dose única logo após o nascimento, indicado tanto para bebês saudáveis quanto para os de maior risco, oferecendo proteção prolongada durante toda a sazonalidade.

Outras medidas preventivas incluem a higienização das mãos, evitar locais fechados e aglomerações, manter os ambientes ventilados e, sempre que possível, restringir o contato de bebês pequenos com pessoas gripadas.

Alerta da Dra. Débora Ribeiro

A pediatra Dra. Débora Ribeiro chama atenção para o aumento expressivo dos casos de doenças respiratórias em todo o país. “Estamos vivendo uma verdadeira explosão de atendimentos pediátricos por doenças respiratórias, especialmente a bronquiolite. E o número de internações está crescendo, principalmente entre os bebês menores de um ano”, alerta.

Segundo ela, o Sudeste é a região mais afetada, sobretudo em áreas com alta concentração de poluição atmosférica, o que agrava ainda mais os quadros respiratórios. A médica reforça a importância da prevenção e do cuidado com os grupos mais vulneráveis: “É possível se proteger, mas é preciso informação e ação. Procurar orientação médica ao primeiro sinal de dificuldade respiratória pode fazer toda a diferença”.

Neste momento crítico, a união entre ciência, conscientização e cuidado é a melhor forma de proteger nossas crianças e atravessar essa temporada de forma mais segura.