Segundo cientista, aumento das precipitações é lento, mas desastres expressam deficiência em políticas públicas e infraestrutura
Um especialista em meio ambiente da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Artaxo, afirmou que as enchentes recentes na capital paulista não são resultado exclusivo da chuva, mas da falta de preparo da cidade para eventos cada vez mais intensos.
Artaxo, coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável da USP, observa que desde a década de 1930 há um aumento gradual no volume das chuvas, mas os dias com precipitações superiores a 80 e 100 milímetros em 24 horas quadruplicaram. Para ele, isso eleva o risco de enchentes, reforçando a necessidade de maiores investimentos estratégicos.
O cientista critica a redução de 55% nos recursos destinados à drenagem e combate a enchentes no orçamento do estado para 2025, além da insuficiência na aplicação dos valores e na condução das políticas públicas. Aponta que a priorização dos interesses do setor imobiliário na elaboração dos planos diretores dificulta o aumento das áreas verdes e a resiliência urbana.
Em contraponto a declarações governamentais que valorizam a participação individual, Artaxo defende que somente políticas públicas estruturadas são capazes de reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos. Propõe uma transformação socioecológica ampla, incluindo menos impermeabilização, incentivo ao transporte coletivo e mudança no modelo econômico vigente.
Em nota, o Governo do Estado de São Paulo destacou investimentos e ações integradas no combate às enchentes, citando um plano de R$ 25 bilhões em resiliência, obras estruturantes e iniciativas de prevenção. A Prefeitura de São Paulo detalhou dados sobre o volume da chuva na última tempestade e ressalta investimentos de R$ 11,4 bilhões em drenagem na gestão atual, além de ações preventivas e operacionais para minimizar danos e atender emergências.
O episódio recente, que deixou o Túnel do Anhangabaú alagado com carros submersos e pessoas ilhadas, evidencia os desafios diante das mudanças climáticas e como a falta de preparo urbano agrava as consequências dos fenômenos naturais na metrópole.
Crédito da imagem: Reprodução/Redes Sociais. Túnel do Anhangabaú inundado após forte chuva em São Paulo em outubro de 2026, mostrando veículos parcialmente submersos e pessoas sobre carros ilhadas pela água






