A disputa de 2026 começou a ganhar contornos mais claros em dois movimentos de peso no cenário político nacional. De um lado, o PL lançou o senador Flávio Bolsonaro como nome para a corrida ao Planalto, em um ato que contou com a presença do presidente argentino Javier Milei. Do outro, o PT oficializou Fernando Haddad como aposta para o governo de São Paulo, em evento com participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

PL lança Flávio ao Planalto em ato com Milei

O PL deu um passo simbólico e estratégico ao apresentar Flávio Bolsonaro como alternativa da direita para a eleição presidencial. O ato reforçou a tentativa do partido de manter vivo o capital político do bolsonarismo, especialmente diante das restrições eleitorais que atingem Jair Bolsonaro. A presença de Javier Milei serviu para dar ao evento um tom internacional e aproximar ainda mais o discurso liberal-conservador defendido por parte da direita brasileira.

Durante o encontro, lideranças do partido buscaram vender Flávio como herdeiro direto do projeto político do ex-presidente. O sobrenome Bolsonaro, nesse contexto, aparece como principal ativo eleitoral, capaz de mobilizar uma base fiel e manter o PL no centro do debate nacional. A estratégia também tenta conter disputas internas no campo da direita, onde outros nomes vêm se movimentando para ocupar o espaço deixado por Jair Bolsonaro.

A participação de Milei teve forte peso político e simbólico. O presidente argentino é visto por aliados do PL como referência de enfrentamento à esquerda e de defesa de uma agenda econômica mais radical. Ao lado de Flávio, sua presença ajudou a reforçar a imagem de uma articulação regional entre líderes conservadores, algo que o partido pretende explorar na pré-campanha.

PT oficializa Haddad ao governo de São Paulo

Enquanto o PL movimenta o tabuleiro nacional, o PT decidiu cravar Fernando Haddad como nome para disputar o governo de São Paulo. A oficialização, feita em ato com Lula, recoloca o ministro da Fazenda no centro da política paulista, estado considerado estratégico para qualquer projeto nacional do partido. Haddad já governou a capital e disputou outras eleições majoritárias, o que o torna um dos quadros mais conhecidos da legenda no estado.

A escolha também mostra que Lula pretende jogar alto em São Paulo, maior colégio eleitoral do país e território historicamente difícil para o PT em disputas estaduais. A presença do presidente no evento serviu para sinalizar unidade e dar peso político à pré-candidatura. Para petistas, uma campanha forte em São Paulo pode ajudar não apenas na eleição estadual, mas também na sustentação do projeto de reeleição de Lula ou de um nome apoiado por ele em 2026.

Haddad, por sua vez, chega à disputa com vantagens e desafios. Como ministro, ganhou protagonismo nacional, mas também passou a ser alvo constante de críticas da oposição, especialmente na área econômica. A campanha paulista deve explorar sua experiência administrativa e sua ligação com Lula, ao mesmo tempo em que terá de enfrentar a resistência de setores do eleitorado paulista ao PT.

Os dois atos mostram que a largada política para 2026 já começou, mesmo antes do calendário eleitoral oficial. PL e PT movimentam suas principais peças em busca de musculatura nacional e regional, mirando dois polos decisivos: a Presidência da República e o governo de São Paulo. A partir de agora, Flávio Bolsonaro e Fernando Haddad entram no centro de uma disputa que promete reorganizar alianças, acirrar discursos e antecipar a temperatura da próxima eleição.