O acesso à saúde, direito social assegurado pelo Art. 6º da Constituição Federal de 1988, deve ser garantido pelas administrações públicas municipais, estaduais e federal. Partindo desse pressuposto e com base em evidências, o Novo PAC Saúde tem buscado cada vez mais democratizar o acesso à saúde, garantir a efetividade do SUS e trazer inovações: uma das mais recentes é a concessão de Kits para Telessaúde.
Para acelerar ainda mais o crescimento do SUS Digital, o Novo PAC saúde destinou para vários municípios da região de Osasco novos Kits Multimídia de Telessaúde, somando um investimento de R$56.295,52 para a região. Cada kit é composto por um notebook, uma televisão inteligente de 43 polegadas e uma câmera de videoconferência, destinados às Unidades Básicas de Saúde (UBS). Além de fortalecer a Atenção Primária com essa possibilidade de atendimento nas UBS, a Telessaúde está também alinhada ao programa Agora Tem Especialistas, que busca reduzir filas e melhorar os encaminhamentos da atenção básica à especializada.
O Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal tem trazido medidas complementares para garantir a universalidade prevista do SUS. Com o avanço cada vez maior da tecnologia no dia-a-dia dos brasileiros, o SUS Digital tem trazido iniciativas para modernizar o SUS, como o aplicativo “Meu SUS Digital”, através do qual é possível baixar comprovantes de vacinas, acessar consultas agendadas em sua UBS e outras medidas.
A telessaúde abrange diferentes modalidades de atendimento: a consulta remota entre o paciente e o(a) médico(a) especialista, a teleconsultoria entre os profissionais da saúde, os telediagnósticos com a análise remota de exames e imagens e até tele interconsultas, que é quando há uma discussão clínica conjunta entre profissionais, com ou sem o paciente presente. Todo esse sistema aumenta a capacidade de resolutividade pelas Unidades Básicas de Saúde.
Como benefícios, tem-se a modernização do atendimento, uma facilitação da gestão e, principalmente, a superação de barreiras geográficas. Isso permite que pessoas cuidadoras que têm a necessidade de estar em casa frequentemente, pessoas com dificuldades de locomoção ou com outras particularidades possam ainda assim ter condições de acompanhar sua saúde.
Deste modo, o uso da tecnologia como um instrumento para reduzir desigualdades no acesso à saúde é fundamental e permitirá mais qualidade de vida às pessoas de Osasco e região, especialmente aquelas que encontram-se em maior condição de vulnerabilidade.
A efetividade dos equipamentos, contudo, dependerá de fatores que vão além da entrega dos kits: é necessário que as gestões municipais assegurem que haja conectividade adequada nas unidades, capacitação dos profissionais para uso dos equipamentos, integração com os fluxos já estabelecidos de referência e contrarreferência na região de saúde e o devido zelo dos equipamentos. Com a fiscalização dos Conselheiros Municipais da Saúde e toda a sociedade civil, espera-se que essa política do governo federal atenda devidamente os seus objetivos.
Sobre a região:
A região que compreende Osasco e municípios do seu entorno: Carapicuíba, Jandira, Itapevi, Santana de Parnaíba, Pirapora do Bom Jesus, Cotia e Vargem Grande Paulista concentra uma população de 1.949.215 habitantes (IBGE, 2022). Destes, 34% residem em setores censitários de vulnerabilidade média a muito alta, conforme o Índice Paulista de Vulnerabilidade Social – IPVS publicado em 2026 a partir dos dados do Censo de 2022.
Desenvolvido pela Fundação Seade, centro de produção e divulgação de análises e estatísticas do estado de São Paulo, o IPVS é composto por indicadores socioeconômicos e demográficos é existe com o objetivo de subsidiar pesquisas e a formulação de políticas públicas. Afinal, quando feitas a partir de dados, as políticas voltam sua atenção para onde devem de fato ser direcionadas.
HUMBERTO TOBÉ
Pós-graduado em Gestão da Saúde Pública, é Analista de Gestão no Ministério da Saúde atuando na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde, especialmente dos municípios paulistas.
MARTHA GAUDÊNCIO
Bacharela e Mestranda em Políticas Públicas pela Universidade Federal do ABC. Já atuou na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, conectando demandas dos municípios ao Governo Federal.






